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DESENVOLVIMENTO DE UM PROTÓTIPO DE FOGÃO
SOLAR Eng. ARNALDO MOURA BEZERRA
SUMÁRIO. O autor desenvolve um protótipo de fogão solar especificamente destinado ao esporte de "camping", piqueniques e atividades correlatas. Como se sabe, os fogões solares até hoje construidos são geralmente modelos que ocupam área relativamente grande em relação à área útil dos veículos de passageiro onde possivelmente serão transportados. A única exceção é o modelo construído pelo professor G.O.Lof e Dale A. Fester, conhecido como tipo "umbrella", de estrutura bastante frágil. Tendo em vista a relativa dificuldade oferecida ao transporte pelos modelos já construidos, procurou-se projetar um modelo de fogão que, apesar de manter as mesmas dimensões dos similares, fosse de fácil transporte e manuseio além de seguir as recomendações da Conferência de Roma realizada em agosto de 1961, no que se refere à resistência e durabilidade. Foi então desenvolvido um modelo que funciona a concentração, portanto de forma parabólica, cujo captor é constituído de um paraboloide dividido em seis partes iguais as quais são fixadas por meio de um elemento central axialmente posicionado. Assim como o paraboloide propriamente dito, a sua estrutura de sustentação também foi projetada de modo a permitir uma montagem e desmontagem sem maiores dificuldades, não apresentando o protótipo nenhuma complicação quanto ao seu manuseio pelos usuários. O suporte da panela também é de montagem bastante simples. A estrutura de sustentação está constituída de um tripé desmontável formado por três partes tubulares as quais estão fixadas por meio de uma coluna vertical também feita em tubo, em cuja extremidade superior encontra-se um elemento circular de apoio do captor parabólico. O suporte da panela, formado por duas partes que se encaixam convenientemente, está também preso a esta coluna vertical cuja fixação bastante simples, é feita por um parafuso de pressão facilmente comandado através de uma pequena alavanca. O captor parabólico e a panela movem-se conjuntamente e a coluna vertical de sustentação permite por sua vez um movimento conjunto do paraboliode e da panela em torno do seu próprio eixo vertical cuja finalidade é a de promover os ajustes necessários conforme o movimento aparente do sol, de tal modo que a radiação solar incidente no captor se faça sempre o mais perpendicular possível. Levantou-se o balanço térmico do protótipo e foram também feitos estudos relativos ao tempo necessário à cocção de alguns alimentos, utilizando-se como elemento comparador um fogão convencional à gás de petróleo. Foram levantados vários gráficos de temperatura para diferentes radiações de acordo com as faixas horárias escolhidas e feitas as devidas comparações. No final do trabalho o autor tece algumas considerações referentes aos materiais usados na superfície refletora do captor parabólico assim como no que diz respeito aos materiais que possam ser utilizados na construção dos paraboloides destinados à fogões solares. Acompanha também o trabalho um documentário fotográfico do protótipo e dos testes realizados para levantamento de desempenho.
ABSTRACT The author studied a solar cooker prototype designed for camping. The Well-known solar cookers are large models anda occupy sufficient space in the cars in which they are normally transported. The cooker built by G.O. Lof and Dale A. Fester is an exception but is very fragile ( umbrela type). This lead the author to design a solar cooker similar concentrating type ande size as that of others, but with the refleting parabola consisting of six equal and separate segments. The segments of the parabola and the frame os the cooker are made im such way as to facilitate their asembling and disassembling. The frame of the pot is also easy to assemble. A tubular central frame supports the paraboloid and is used to fix the tripod on the ground. Another pipe on the upper side of the tubular central frame holds the pot. The above mentioned central frame can turned around to follow the apparent motion of the sun. The thermal balance of the prototype has been studied and a com parative study of the time required to cook with the solar and gas cookers is also included. Temperature distribution curves at several locations of the pot and cooker have been drawn. The total cost of the prototype has been investigated. The materials used for the cooker construction and the reflector surfaces have been discussed. Several photographs have been included.
1 - INTRODUÇÃO
O emprego da energia solar para suprir as necessidades energéticas do futuro, não significa em absoluto que possa a mesma substituir de maneira integral as demais formas de energia ainda hoje utilizadas pelo homem. A intermitência solar, condições atmosféricas, o movimento aparente do sol, constituem problemas de difícil solução ou mesmo equacionamento, impossível para que possa este tipo de energia ser utilizada de maneira contínua e ininterrupta.. Estes fatores que representam o aspeto negativo da utilização da energia solar, não invalida contudo o trabalho até hoje desenvolvido no mundo todo no sentido de dar a este tipo de energia uma conotação prática e racional. A seca, o grande problema nordestino, é uma prova inconfundível da potência energética solar. Este mesmo sol cuja radiação tem causado tantos efeitos prejudicais durante as estiagens, poderá ser vantajosamente aproveitado para acionar bombas, destiladores, aquecer água para utilização doméstica e industrial, para secar frutos, carnes, peixes, grãos etc, climatização, conversão de energia, cocção de alimentos etc. O fogão solar é hoje um fato comprovado já tendo sido objeto de estudo por vários pesquisadores no âmbito internacional. A maioria dos fogões solares existentes funcionam à concentração muito embora existam outros tipos que aproveitam o efeito estufa como é o caso do protótipo desenvolvido por M. TELKS e ainda o sistema misto desenvolvido por S.PRATA. Os sistemas a concentração são normalmente constituidos de captores de forma parabólica, semi-esférica, cilindro-parabólica, cônica e tronco-cônica. Estes sistemas, para que possam apresentar um desempenho satisfatório, necessitam de radiação direta, céu claro e sem nebulosidades. Existem contudo estudos de cozinhas solares conhecidas como "cozinhas energizadas" onde não se faz necessariamente preciso a utilização do brilho solar. Estes estudos no entanto conduzem ainda a projetos dispendiosos o que não nos anima a desenvolve-los por se encontrarem de encontro à filosofia adotada, qual seja, a de projetar e desenvolver fogões robustos, simples, de baixo custo e eficientes, mais especificamente destinados à prática do "camping" e com maiores simplificações, para serem utilizados e até mesmo construidos pelas populações rurais de baixa renda. Foi com base nesta linha de raciocínio que o LES desenvolveu inicialmente um tipo de fogão solar à concentração com captor parabólico e um outro tipo que funciona a efeito estufa. É de se prever que as populações rurais sejam as maiores usuárias deste tipo de equipamento solar, principalmente aquelas populações que habitam as regiões ensolaradas. Para a chamada classe média, o fogão certamente encontrará aplicação na prática do "camping", piqueniques e atividades correlatas. Para esta aplicação torna-se necessário desenvolver um tipo de fogão solar que ofereça facilidade de transporte, ocupando o menos volume possível já que os similares à concentração existentes, são na sua maioria modelos que ocupam relativamente um volume razoável pelo fato de serem parcialmente desmontáveis. A literatura internacional faz inúmeras referências a fogões solares construidos e testados por diversos pesquisadores. Nomes como H. STAM, SALGADO PRATA, G.LOF, ABOU-HUSSEIN e outros, contribuiram objetivamente para a solução do problema. Foram construidos e testados inúmeros protótipos de concentradores parabólicos, esféricos, cilindro-parabólico, o sistema "four"ou caixa quente baseado no efeito estufa, o sistema misto "four"cilindro-parabólico e outros. Os protótipos industrializados existentes na França, Japão, Estados Unidos, etc,utilizam refletores parabólicos. Entre os protótipos testados observou-se que o tempo necessário à ebulição de um litro de água com temperatura inicial de 20 graus centígrados se situou na faixa de 15/30 minutos, para a otimização da curva da radiação solar. As superfícies refletoras foram obtidas com revestimento de folha de alumínio polido, plástico aluminizado, alumínio anodizado, chapa de bronze niquelada etc. A SOFEE, indústria francesa de equipamentos solares, patenteou um fogão construído em plástico rígido, de forma parabólica, cuja superfície refletora é formada por um revestimento de plástico aluminizado, conhecido localmente como "mylar". Existe outro tipo de fogão denominado "umbrella" que apesar de sua fragilidade estrutural é bastante prático e facilmente transportável. A sua superfície refletora é constituída por um tecido recoberto de um filme de plástico aluminizado. 2 - CONSIDERAÇÕES SOBRE A SUPERFÍCIE REFLETORA O emprego do plástico rígido metalizado funcionando como elemento estrutural e superfície refletora do concentrador, tem sido objeto de vários estudos. Presentemente o único plástico possível de ser metalizado pela indústria brasileira é o tipo ABS. A tecnologia adotada exige contudo o emprego de matrizes de aço ou latão o que até certo ponto invalida a utilização do ABS para fabricação dos concentradores para utilização em fogões solares devido ao alto custo do produto final. Além desse fato, as câmaras de metalização empregadas pela indústria brasileira, geralmente utilizadas para peças de pequenas dimensões, provavelmente não seriam economicamente recomendáveis em virtude do pequeno número a ser processado de cada vez, devido às dimensões dos concentradores com diâmetros das ordem de 1,14 metros. A utilização do papel de alumínio para revestimento do paraboloide ainda é a solução mais economicamente indicada na obtenção da superfície refletora, muito embora não seja a melhor. Este material apresenta algumas desvantagens apesar da boa refletividade e baixo coeficiente de absorção à radiação solar. Tem vida útil reduzida e sua refletividade fica dentro de pouco tempo comprometida pela oxidação natural sem considerar que, durante a operação de cocção dos alimentos, água ou gorduras não tenham sido entornadas sobre o papel. O plástico aluminizado importado tipo "mylar" e outros, apresentam problemas semelhantes. É contudo mais resistente e de vida útil maior do que a do papel. A sua refletividade e o baixo coeficiente de absorção à radiação solar, são excelentes. Utilizou-se um filme de plástico metalizado porém em virtude de não ser o do tipo ABS, a película refletora nele depositada desagregava facilmente com uma simples fricção. O aço inox poderia ser uma solução porém além de seu preço elevado, tem a propriedade de absorver o infravermelho do espectro solar, afetando o rendimento do concentrador. Em relação ao papel de alumínio apresenta a vantagem de não sofrer a ação do tempo ou mesmo das graxas ou gorduras, água ou outro líquido que sobre ele seja entornado. É de fácil limpeza, não pode ser riscado com facilidade, o que contribue para manter a superfície refletora sempre em boas condições. Os filmes de plástico metalizados, via de regra importados, não seria a melhor solução em virtude do custo e dificuldade de importação. Poder-se-ía pensar em folhas de alumínio polido ou anodizado porém não são facilmente encontradas no mercado regional, com o grau de polimento desejado. Soluções outras como superfícies cromadas ou niqueladas exigem que o absorvedor seja construído de metal, encarecendo o produto acabado. Pode-se também obter paraboloides de madeira laminada, pó de madeira com aglomerante, alumínio, papelão, fibra de vidro etc. Considerando as dificuldades encontradas para obtenção de um material de boa qualidade e de baixo custo para compor a superfície refletora, utilizou-se folhas de alumínio de 0,5 mm de espessura, polida mecanicamente já que houve dificuldade para procedimento de um polimento químico. Assim sendo, o protótipo desenvolvido apresenta um paraboloide em fibra de vidro, revestido com folhas de alumínio polido mecanicamente por processo puramente artesanal. Este protótipo é totalmente desmontável, sendo assim o primeiro projeto brasileiro com tais características.
3 - ANÁLISE DO PROTÓTIPO
O protótipo foi desenvolvido visando a sua utilização como equipamento adicional para "camping" e atividades correlatas. O fogão solar consta basicamente de três partes principais: a - Suporte do paraboloide b - Suporte da panela c - Paraboloide propriamente dito
3.1 - Suporte do paraboloide: Este suporte é a base de sustentação do conjunto. Está constituído de três segmentos tubulares formando um tripé, os quais compõem a pequena base triangular de chapa de ferro de 1/8 " de espessura. Presos à citada base encontram-se três encaixes cilindricos que recebem os segmentos tubulares citados os quais serão fixados por meio de um disco metálico situado na extremidade inferior da haste vertical. Esta haste tem movimento de rotação em torno de seu próprio eixo vertical cujo movimento pode ser facilmente bloqueado por meio de um parafuso de fixação. 3.2 - Suporte da panela:
Este suporte está dividido em três partes e é todo feito de tubo de 1/2"de diâmetro. A sua simplicidade dispensa maiores explicações. 3.3 - Paraboloide
O paraboloide, construído em fibra de vidro, está dividido em seis partes iguais. A fixação destes segmentos na haste vertical é feita por meio de um parafuso central o qual mantém cada segmento apoiado em um aro de sustentação, construído em vergalhão de ferro de 3/8"de diâmetro. Este aro é solidário a um pequeno segmento tubular e se encaixa na extremidade superior da haste vertical onde se encontra uma junta plana responsável pelo movimento azimutal do paraboloide. O conjunto dispõe de dois movimentos necessários à orientação do sistema conforme a posição do sol na esfera celeste. Foram empregados materiais normalmente produzidos pela indústria nacional e facilmente encontrados em qualquer mercado.
4 - FACILIDADE DE TRANSPORTE
O modelo projetado tem um peso total de 15,45 Kg e por ser totalmente desmontável, poderá ser acondicionado em um estojo portátil, o que representa uma vantagem principalmente quando se faz necessário o seu transporte para as áreas de lazer, o que normalmente é feito nos veículos de passeio onde o espaço é vital. Na maioria dos modelos de fogão solar industrializados, o concentrador, de forma parabólica, é constituído de uma peça única dificultando o seu transporte.
5 - VANTAGENS DO USO DO FOGÃO SOLAR
A principal vantagem do uso do fogão solar ou de qualquer outro equipamento solar, é a disponibilidade de energia gratuita e abundante. No caso em foco poderemos citar a ausência de chamas ou produtos naturais decorrentes da combustão dos combustíveis vegetais ou minerais, do perigo de explosão, incêndios etc. A temperatura do refletor, praticamente ambiente, elimina o perigo de queimaduras. Além da ausência completa de odores da combustão, o fogão solar tem efeito bactericida pois é altamente higiênico em virtude da presença de concentração do ultravioleta no foco do concentrador. A energia concentrada no foco do sistema é suficiente para fornecer calorias necessárias para ferver água, cozinhar, assar, fritar, aquecer alimentos etc. É possível ainda obter temperaturas diferentes na zona de concentração da radiação solar, bastando para tanto variar a posição da panela em relação ao foco do concentrador, já que nem todos os alimentos são preparados à mesma temperatura. 6 - DETERMINAÇÃO DA TEMPERATURA NO FOCO DO CONCENTRADOR Foram feitos vários ensaios para determinação da temperatura no foco do absorvedor, em dias e horas diferentes, concomitantemente para uma superfície refletora de aço inox e plástico aluminizado ( mylar ). Como era de se esperar, os maiores valores registrados referiam-se à superfície de plástico aluminizado. Para 47 ensaios, a temperatura média obtida com a superfície de aço inox foi de 180,82 graus centígrados e para a superfície de plástico metalizado esta média subiu para 226,63 graus centígrados. Os ensaios foram todos realizados entre 7,30 e 12 horas . Ensaios semelhantes também foram feitos com um absorvedor revestido com alumínio polido mecanicamente. A temperatura média obtida no foco do concentrador foi de 193,4 graus centígrados. A temperatura máxima registrada foi de 250 graus centígrados, para otimização da curva de radiação. Comparando os valores médios obtidos, verificamos que o mylar apresentou temperaturas mais significativas, ficando o alumínio polido mecanicamente em segundo lugar. O distanciamento verificado entre as temperaturas obtidas com o alumínio polido e o mylar, é facilmente explicado. Em primeiro lugar,utilizou-se calha de alumínio normalmente empregada na construção civil, portanto sem a pureza que seria necessária para trabalhar como superfície refletora, tendo em vista a dificuldade de obtenção de um material de melhor qualidade. Em segundo lugar, o acabamento obtido na superfície refletora, por ação puramente mecânica, ainda deixa muito a desejar em virtude do processo artesanal empregado devido à falta de meios materiais mais eficientes. A utilização de um alumínio de melhor qualidade, com o grau de pureza e acabamento desejáveis, muito contribuirá para elevar significativamente a temperatura no foco do absorvedor, a qual poderá seguramente atingir a valores praticamente iguais aos obtidos com o maylar. O alumínio polido é sem dúvida o material mais indicado para a formação da superfície refletora dos captores, não somente pelo fato de ser um material leve mais, principalmente por constituir uma material que, dependendo do grau de polimento obtido, poderá refletir 80 % ou mais da radiação solar. O material refletivo não é o único fator a considerar na obtenção da temperatura máxima no foco do concentrador. As condições atmosféricas, o estado de polimento e regularidade da superfície na formação da parábola e principalmente a sua correta orientação em direção à radiação solar, são fatores decisivos para um desempenho satisfatório de concentrador-refletor. As perdas por convecção também são importantes. É perfeitamente possível que durante um teste comparativo entre uma superfície de aço inox e mylar, para uma mesma radiação, a superfície de aço inox registre temperaturas mais elevadas em relação à superfície de mylar ou mesmo de alumínio polido, bastando para isso que estas duas últimas não estejam corretamente orientadas. Este fato foi observado durante os testes realizados com os protótipos, para uma mesma intensidade de radiação. Outro problema a ser levado em consideração e de importância fundamental durante os testes, é a sincronização correta do relógio do observador com o instrumento de referência.. Observou-se por exemplo, que nas mesmas condições de teste porém em dias diferentes, um mesmo absorvedor acusou maiores temperaturas do que aquelas obtidas anteriormente para a mesma faixa horária correspondente a valores menores da radiação instantânea registrada no instrumento de referência. Este fato pode ser interpretado como não coincidência do relógio do observador em relação aos instrumento, ou absorvedor incorretamente orientado, perdas térmicas por correntes convectivas durante a ocasião da leitura ou o que é mais provável, erros de acuidade visual cometidos pelo observador. De qualquer modo, qualquer que seja o fato determinante dos erros observados, a ocorrência serve para mostrar a importância que todos estes fatores representam para um bom desempenho do observador.
7 - TEMPO DE COCÇÃO DE ALGUNS ALIMENTOS A tabela abaixo permite observar o tempo necessário à cocção de alguns alimentos utilizando-se um fogão solar revestido de mylar e um outro com revestimento de alumínio polido, comparados com um fogão convencional à gás de petróleo. _________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________ 8 - ANÁLISE DO CUSTO DO PROTÓTIPO A composição de preços dos materiais utilizados na construção do protótipo de fogão solar com absorvedor-refletor construído em fibra de vidro com 4 mm de espessura média, diâmetro de 1080 milímetros revestido com folhas de alumínio polido de 0,5 milímetros de espessura, revelou que o paraboloide representa 77,8% do custo total do material empregado. Os 22,2 % restantes referem-se ao suporte do concentrador e da panela, os quais pela simplicidade de construção permitem modificações significativas que venham incidir numa redução do custo total do material empregado na construção do fogão. Deste modo, a única alternativa para barateamento do protótipo, reside no que diz respeito à confecção do paraboloide e respectivo revestimento para obtenção do absorvedor-refletor. Com os preços dos materiais adquiridos no comércio regional, referentes a agosto de 1977, o quilo de fibra de vidro revestida com alumínio polido ficou em torno de Cr$ 113,43 e sem o respectivo revestimento, o quilo da fibra de vidro ficou em Cr$ 96,32. É claro que considerando o processo puramente artesanal utilizado na construção do protótipo, não é demais estimar um desperdício de material na ordem de 3 a 4%. Acreditamos contudo que para um processo industrial de fabricação onde a matéria prima é adquirida diretamente na fonte e em quantidades significativas, o custo do material possa cair sensivelmente. É bem, provável ainda que industrialmente este não seja o melhor material ou o material mais indicado para construção do absorvedor, podendo ser vantajosamente substituido por outro mais adequado aos processos industriais ora utilizados além dos fatores de ordem económica que naturalmente serão levados em consideração. 9 - BALANÇO TÉRMICO DO PROTÓTIPO Procurou-se dentro do possível manter o absorvedor perpendicularmente orientado em direção à radiação solar, já que a sua orientação correta influe positivamente no rendimento do sistema. Os ensaios foram realizados na zona do litoral paraibano onde as condições atmosféricas não são muito propícias à utilização de concentradores solares, tendo em vista a incidência de núvens, mesmo no verão. Para determinação do rendimento e potência do protótipo, tomou-se por base os dados obtidos no teste realizado em 16/11/1977, conforme abaixo: Local do teste - Laboratório de Energia Solar - Cidade Universitária João Pessoa - Paraíba Latitude - 07.06'30" Longitude - 34.52'42" Condições do teste: A céu aberto Temperatura ambiente - 28,2 graus centígrados Umidade relativa do ar - 65% Velocidade do vento - 6m/sg. (10 m alt) Direção predominante do vento - SE Radiação global - 20,4 cal / cm2 Insolação - 16 min. Início do teste - 9,18 horas Término do teste - 9,34 horas Duração do teste - 16 min. Temperatura média no foco do concentrador - 194,3 graus centígrados Temperatura inicial da água - 29 graus centígrados Temperatura final da água - 100 graus centígrados Volume de água utilizado - 1 litro Concentrador: Material - Fibra de vidro Revestimento - Folha de alumínio polido Diâmetro do concentrador - 1080 mm Distância focal - 580 mm Superfície útil do concentrador - 0,96 m2 De acordo com a equação Hb. Ar.r.k.g = qu+ qth , obtemos: Radiação captada pelo absorvedor e entregue à panela = 67001,76 cal/m2 Radiação incidente no absorvedor = 140.760 cal/ m2 Rendimento do sistema = 47,56% Potência total = 328,16 watts Os cálculos foram realizados tomando por base os seguintes valores: r = 0,80 k = 0,70 g = 0,85
ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS DO PROTÓTIPO Tipo do fogão .................................................................concentração Forma do refletor.............................................................parabólica Material de revestimento...................................................alumínio polido Superfície de captação da radiação solar. ........................ 0,69 m2 Diâmetro do absorvedor........................................... ............ 1,08 m Superfície total do absorvedor.............................................. 0,92 m2 Espessura média da estrutura do absorvedor............................. 0,004 m Material da estrutura do absorvedor................................... fibra de vidro Distância focal............................................................................0,58 m Área da grelha............................................................................0,023 m2 Estrutura de sustentação do fogão.....................................tubo gal. 1/2" D Potência total..........................................................................328,16 Watts Potência útil.............................................................................309,14 Watts Capacidade total de cozimento............................................. ......1,5 litros Intervalo de orientação do sistema......................................... ...cada 20 min. Tempo para ebulição de 1 litro de água com ti = 28 graus C........15 min. Concentração efetiva...................................................................30 Desempenho em operação...........................................................bom Portabilidade................................................................................boa Peso total inclusive panela de 17 cm de diâmetro..........................15,54 Kg. ENSAIO DE TEMPERATURA NO FOCO DO FOGÃO SOLAR COM REVESTIMENTO DE AÇO INOX E ALUMÍNIO POLIDO MECANICAMENTE - Data : 18/11/1977
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________________________________________________________________________ ENSAIO PARA DETERMINAÇÃO DA TEMPERATURA NO FOCO DO FOGÃO SOLAR COM SUPERFÍCIE REFLETORA DE ALUMÍNIO POLIDO MECANICAMENTE - Data : 16/11/1977 _______________________________________________________________________
_______________________________________________________________________ Observação: Para os ensaios realizados à temperatura ambiente variou entre 28 e 30 graus centígrados. 9 - CONCLUSÕES
Os estudos ora desenvolvidos no mundo todo em busca de novas fontes de energia, é uma demonstração evidente do declínio do ciclo do petróleo. Não se pretende aquí afirmar que a ENERGIA SOLAR seja a solução ideal para contornar a crise energética mundial. Porém em sã consciência, não se pode ignorar que a ENERGIA SOLAR é a que mais tem contribuído para oferecer uma solução do problema, pelo menos em termos parciais. O aspeto da utilização da energia solar no preparo dos alimentos não é utópico!. É um fato comprovado. Do mesmo modo também é verdade que, para que esta utilização seja significativa, é necessário adquirir o hábito de utiliza-la sempre quando possível. O emprego eventual do fogão solar não tem nenhuma significação económica, como de resto, o de nenhum outro equipamento solar. Os testes levados a efeito com os materiais para formar a superfície refletora, nos permite afirmar ser o alumínio economicamente o mais indicado. Por outro lado, as dificuldades encontradas na obtenção deste material em condições satisfatórias para ser utilizado como elemento refletor, sugere uma tomada de posição, em escala industrial, no sentido de se desenvolver materiais refletivos de melhor qualidade, não só para aplicações em fogões solares como para aplicação em sistemas outros de média concentração como por exemplo, o cilindro-parabólico, usado na produção de pequenas potências e outras finalidades. Como ficou demonstrado, o paraboloide é o único elemento que pesa no custo do fogão. É muito provável contudo que em escala industrial o custo unitário do equipamento venha sofrer uma redução significativa. Mas, reduzir o custo final do produto não é tudo que se deseja. Mais importante ainda é garantir a aceitação do fogão solar pelas populações, quer seja para fins recreativos, quer seja para operar como elemento auxiliar no preparo dos alimentos no cotidiano das populações rurais das regiões ensolaradas deste imenso Nordeste brasileiro assim como em regiões outras existentes em todo o mundo. Energia é hoje uma preocupação de todos os governos. Deste modo, uma campanha de âmbito nacional através dos meios normais de comunicação no sentido de educar e estimular às massas para o emprego de novas fontes energéticas, é de uma importância fundamental no equipamento de um problema que se reveste de caráter universal.
BIBLIOGRAFIA
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Publicado no boletim ABEnS |