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ENERGIA
E MEIO AMBIENTE
No mundo
contemporâneo onde a demanda energética tende a um crescimento vertiginoso
para atender as necessidades da humanidade hoje estimada em mais de 6 bilhões
de pessoas o homem tem se voltado para a NATUREZA buscando nos seus elementos
as alternativas energéticas capazes de lhe proporcionar a energia de que
tanto necessita para a manutenção de um nível de vida compatível com a sua
própria dignidade.
Na verdade as alternativas energéticas oriundas dos recursos naturais
renováveis estão sendo retomadas!
O vento e o sol, principalmente, ja desempenharam no passado papeis de
importâncias significativas na História da Humanidade.
Em face às previsões até certo ponto alarmantes referentes à exaustão
dos recursos petrolíferos mundiais, configuradas pela crise energética
eclodida na década de 70, os países do I Mundo, principalmente, aceleraram
as suas pesquisas na obtenção de novas tecnologias alternativas elegendo a ENERGIA
SOLAR como a mais promissora alternativa energética do futuro.
Esta tomada de posição do I Mundo não significava necessariamente
que a manutenção dos seus padrões energéticos fosse depender dessas novas
tecnologias, mas e principalmente porque é exatamente no III Mundo que se
encontra um verdadeiro mercado em potencial para essas novas tecnologias,
capaz de assegurar um vantajoso comércio internacional além de, estabelecer
futuramente uma outra forma de dependência configurada pela dominação
tecnológica no campo das alternativas energéticas.
Tanto isto é verdade que surgiram na França e nos Estados Unidos,
principalmente, projetos grandiosos de geração de energia elétrica via sol,
como é o caso do Projeto THEMIS de 2 Mwe, localizado em Targassone no sul da
França, o Projeto BARSTOW de 10 Mwe e 35 MW solar, construido nos Estados
Unidos, a Central de MITSUBISHI de 1 Mwe construida no Japão, além de
outros.
Tudo indica que o objetivo a ser alcançado com tais instalações
solares era o de dominar a tecnologia pertinente prevendo uma utilização
futura onde o III Mundo seria o alvo predileto para seus pacotes tecnologicos
alternativos.
Os países do III Mundo não podem evidentemente prescindir da
tecnologia alienígena dos países ricos mas nem por isto devem se colocar na
cômoda posição de simples espectadores, pois esta é uma posição que
poderá no futuro se tornar bastante incômoda para as suas economias.
Países do III Mundo como o Brasil, precisam urgentemente partir para
uma ação integrada no sentido de desenvolverem as suas próprias tecnologias
energéticas alternativas, baseadas nas vocações energéticas de cada país,
pois é exatamente nos países do III Mundo que se encontra o maior potencial
destas fontes alternativas.
As relações internacionais no campo dos négócios, da ciência e da
tecnologia, da cultura etc, são necessárias e salutares à comunidade
internacional. O que NÃO
é salutar para nos outros do III Mundo é que tais relações nos transforme
em credores e dependentes eternos!...
Precisamos portanto desenvolver a nossa própria tecnologia neste campo
já que o desenvolvimento de um país é em última análise fundamentalmente
baseado na ENERGIA.
Se a energia solar ainda não
encontrou espaço dentro do contexto energético do país, assim como outras
formas alternativas de energia, isto não será verdade na virada deste século.
É oportuno transcrever aquí a opinião do Diretor da Atomic Energy
Commission, Mr. Glenn T. Seabord, dos Estados Unidos, constante da página 26
da publicação ENERGIA SOLAR, do Instituto de Tecnologia Internacional -
novembro de 1978, quando assim se expressou: “O
caso dos países em vias de desenvolvimento merece aquí uma atenção
particular. Mesmo
dentro de uma ótica habitual de uma economia que negligência a degradação
do meio ambiente, a ENERGIA SOLAR, geralmente abundante nos países em questão,
deveria ter um lugar de destaque em seu desenvolvimento.
Esta é por exemplo a opinião do diretor da Atomic Energy Commission
dos E.U.A., Gleen T. Seaborg.
Durante vários anos acreditei, juntamente com muitos dos meus colegas,
que uma energia nuclear abundante e economica poderia permitir o
desenvolvimento de certos países costeiros áridos...
Infelizmente não é possível levar a bom termo estes projetos por razões
economicas...(em compensação) a ENERGIA SOLAR poderá em futuro próximo
fornecer economicamente a eletricidade, e mesmo antes disso, ser útil de várias
formas.”
A posição
do Brasil face à crise energética de 73 que carreou um fluxo de riquezas sem
precedentes para os países da OPEP, é um pouco mais confortante considerando
o fato de que os seus recursos petrolíferos não foram ainda de todo
explorados. Além
deste fato, que é de importância fundamental para o desenvolvimento da
economia brasileira, poderemos ainda alinhar o vasto potencial brasileiro no
campo da agricultura,pecuária, energia de biomassa e tantas outras riquezas
minerais adormecidas, além de outras forma de energia (como a SOLAR), a
espera de uma exploração racional, o que tem tornado este país tão cobiçado
por nações outras mais desenvolvidas.
Por outro lado dispomos de uma bacia hidrográfica que constitue um
fabuloso potencial energético, a qual possibilitou a construção de grandes
barragens e possibilitará ainda a execução de tantos outros projetos de
real significação para a economia nacional.
A expansão petrolífera brasileira é hoje uma realidade incontestável!
As plataformas submarinas, em que pese as dificuldades de extração do
petróleo face às jazidas cada vez mais profundas, não constituem problemas
maiores graças à tecnologia nacional desenvolvida pela PETROBRÁS e a
capacidade indiscutível e comprovada de seus técnicos.
Com todo este elenco de recursos energéticos o problema brasileiro não
é propriamente um problema fundamentado basicamente no petróleo.
É muito mais um problema relacionado com ENERGIA, energia imprescindível
ao seu desenvolvimento para que possa no futuro sair da condição de país
pertencente ao bloco dos países do III Mundo.
O desenvolvimento de um país deverá ser fundamentado no sentido de
evitar os riscos ecológicos decorrentes desse mesmo desenvolvimento.
O extraordinário aumento do consumo de energia verificado nas três últimas
décadas tem chamado a atenção para o seu impacto sobre os recursos ecológicos,
principalmente nos países altamente industrializados.
A poluição do ar e da água não
conhecem limites políticos! O
homem pode criar nações mas não pode criar a biosfera que é única na
Terra!.
A exploração
de energia em um país pode seguramente gerar efeitos adversos em outros países
e oceanos quando tal exploração negligência as normas internacionais de
segurança. Não há
dúvida de que o consumo de energia continuará a aumentar, principalmente nos
países ávidos de desenvolvimento como é o caso brasileiro.
A causa principal da poluição do ar no mundo industrializado é
devido à combustão de materiais fósseis em veículos e outros meios de
transporte, nas indústrias, usinas termoelétricas, edifícios comerciais,
residênciais, etc. Entre
os principais poluentes estão os hidrocarbonetos, os óxidos de enxofre,
nitrogênio, partículas sólidas de matéria, etc.
Estes poluentes, de formas diversas, afetam a saúde das populações,
dos animais, das plantas e até mesmo podem causar danos materiais a edifícios.
No caso da água a poluição está caracterizada pelo rejeito residêncial
e industrial lançados aos rios e seus afluentes, detritos aquecidos das
usinas elétricas, vazamento de petróleo nos oceanos, a assim por diante.
As usinas nucleares são uma outra ameaça
à ecologia!. “O
lixo atômico radioativo é na verdade um problema que transcende todas as
diferênças nacionais e culturais e que se estenderá por séculos afora!.”
“O freio ecológico final ao consumo de energia não será
caracterizado pela exaustão dos recursos nem pelo efeitos específicos da
poluição, porém pelo impacto de consumo de energia sobre o clima da
Terra.” Assim
como no passado o clima da Terra foi afetado por profundas mudanças, como por
exemplo, o desaparecimento de terras férteis transformadas em desertos
calcinados em decorrência da ERA GLACIAL, não restam dúvidas de que no
futuro, mesmo independente do controle do homem, forças naturais causarão
outras modificações climáticas importantes.
O consumo de energia na atividade contemporânea está se aproximando
dos níveis nos quais a possibilidade de efeitos irreversíveis sobre o clima
da Terra, começa a se constituir numa preocupação crescente.
De acordo com a segunda Lei da TERMODINÂMICA, o
calor é o resultado final de todo o consumo de energia e independe do combustível
e da tecnologia de emprego.
O consumo de energia implica na liberação de calor que no futuro terá
grande influência em relação à quantidade de energia
solar recebida pela Terra. “Se
o consumo mundial de energia continuar a aumentar, segundo os índices históricos
de 5% ao ano, ou talvez mais, a quantidade de calor liberada pela atividade
humana atingirá 0,1% no ano 2010 e 1% no ano 2050 e 10% no ano de 2100.
Aí sim é que o “EFEITO ESTUFA” poderá causar modificações
climáticas com todos os seus terríveis efeitos, conforme as previsões da
comunidade científica internacional.
Ao se confirmarem estas tendências é bem provável que o fator
determinante capaz de reduzir o consumo mundial de combustíveis fósseis no
futuro, seja ditado pelo impacto deste
consumo sobre o clima da Terra e não pela possibilidade de exaustão destas
reservas.
No início
da década de 70 o calor produzido
pelo homem era equivalente a 0,01% da energia solar incidente na Terra.
“Alguns cientistas especulam que pode existir uma conecção
causal entre a liberação de calor na Europa e a seca na África Subsaárica.
Por isto muito antes que o limite térmico ao consumo mundial de
energia seja atingido, é bem provável que ocorram substanciais efeitos
locais ou regionais.”
Em síntese, o uso cada vez maior de energia poderá, pelo calor
liberado, gerar fatores de desestabilização no equilíbrio das forças da
NATUREZA que regulam o clima na Terra.
As modernas sociedades industriais das grandes metrópoles necessitam
de grandes quantidades de petróleo para o transporte de massa.
Por outro lado as futuras sociedades dificilmente poderão contar com
esta forma de energia e é muito provável que passarão a depender da
eletricidade de origem nuclear ou mesmo termonuclear e solar.
GERAÇÃO DE ENERGIA VERSUS IMPACTO AMBIENTAL
Energia, fator essencial ao desenvolvimento sócio-economico de um país.
É nela que se baseia o progresso das nações desde as emergentes até
as civilizações mais adiantadas do mundo.
Nos primórdios, o homem se valeu da energia muscular do próprio homem
e dos animais para suprir as suas necessidades energéticas nos mais
diferentes afazeres do cotidiano. Mais
adiante utilizou a força dos ventos e da água corrente, descobriu a combustão
da madeira e posteriormente o carvão mineral.
Surgiram as máquinas à vapor e com ela a revolução industrial que
teve origem na Inglaterra. Mas
o homem foi mais além! Aprendeu
a represar os rios transformando a energia potencial da água em energia cinética
e com ela movimentou os rotores das turbinas cujos eixos acoplados a geradores
elétricos obtiveram a hidroeletricidade.
Surge
o petróleo e o gás natural e a partir daí o mundo industrializado passou a
depender destes insumos para movimentar as suas máquinas como uma nova forma
de energia que aliada à hidreletricidade, constitue o carro chefe energético
do mundo atual.
Porém isto não bastou! A
evidência das estatísticas no que se refere ao quadro atual de obtenção de
energia através das fontes convencionais tendo em vista uma possível exaustão
de suas reservas naturais já que elas não são renováveis (petróleo e
hidroeletriciade), despertou na humanidade a necessidade de encontrar novas
formas de energia que possam garantir no futuro a continuidade da vida sem a
necessidade de um racionamento energético que somente causaria um desequilíbrio
sócio-economico de consequências desastrosas para a humanidade. A contínua
e incessante busca por novas formas
de geração de energia aliada ao desenvolvimento científico e tecnológico,
resultou finalmente no que se convencionou chamar de “a energia do futuro”
: A energia nuclear!.
A força do átomo à serviço da humanidade.
Defendida por uns, rejeitada por outros, conduzindo em seus bojo um
elenco de sucessos e insucessos, a energia nuclear aí está como uma nova
contribuição energética mundial.
Tem como prioridade a geração de energia elétrica mas, por outro
lado existe a possibilidade de sua utilização para fins não pacíficos sem
esquecer a constante ameaça de um vazamento radioativo, fato ocorrido na Russia, entre outros, cujas consequências são fatais para a vida no planeta. A preocupação maior deverá ser com as condições de vida das gerações futuras e esta é uma tese defendida pelos especialistas, muito embora alguns achem que a energia nuclear seja a solução para este século. Segundo Jean Paul Chaussade, diretor da Comunicação Científica da Eletricité de France (EDF), “virar as costas para o átomo é burrice. O petróleo e o gás vão se esgotar em quarenta anos. Os combustíveis fósseis poluem mais e o impacto ambiental das hidroelétricas é muito maior. A alternativa atômica é cada vez mais barata e segura.”, conforme consta do artigo O NÚCLEO DO FUTURO, publicado na revista SUPER Interessante, ano 11, número 1 - janeiro de 1997. Países como a França, Estados Unidos, Canada, Grã-Bretanha, Japão e China, fazem uso da energia nuclear para geração de energia elétrica. A França detém o primeiro lugar com 75% da energia elétrica gerada por meio de 56 reatores nucleares, exportando usinas, reprocessando o urânio, armazenando o lixo atômico e tem dois reatores de última geração. Os reatores franceses são instalados próximos aos consumidores o que elimina custo de transmissão e a dependência de recursos naturais. Apesar de toda a segurança que envolve o processo nuclear francês e de gerar o Kw nuclear 2,5 vezes menos que o Kw do catavento e 12 vezes menos que o Kw solar, o perigo de uma catástrofe não está descartado.
O lixo é tratado segundo a radioatividade.
Em cada quilo, 950 gramas tem fraca intensidade (esgota-se em 30 anos),
45 gramas têm média intensidade (o metal contaminado das cúpulas dos
reatores é perigoso durante centenas de anos), e 5 gramas têm alta
radioatividade (dura centenas de milhares de anos). “O programa nuclear brasileiro coleciona atrasos, multas, juros e erros como as fundações mal calculadas de ITAOMA. ANGRA 2 é um desses casos além de ponto de não-retorno, diz o ex-ministro do Meio Ambiente José Goldemberg. ANGRA 3 é um absurdo, concorda Pinguelle. Não tem justificativa energética.” A energia nuclear é uma opção para quem não tem outra saída como é o caso do Japão, que “não tem petróleo, carvão ou rios e também não tem espaço suficiente para instalar grandes paineis fotovoltáicos e captar energia solar em larga escala.” Por esta razão a produção do Kw atômico no Japão vem crescendo. Em 1973 representava 0,6% de toda a eletricidade produzida no país. Em 1996 saltou para 30%. É o terceiro maior parque nuclear do mundo com 51 reatores. Apesar da confiança depositada pelos franceses em seu programa nuclear responsável por 75% da energia consumida no país, sempre existirá, sem sombras de dúvidas, a possibilidade de um acidente nuclear, de consequências imprevisíveis, não ocorrendo o mesmo com as alternativas energéticas.
A energia solar, nas suas mais variadas formas de manifestação é a
única não poluente e disponível na face da Terra,
razão pela qual o seu emprego como um insumo energético alternativo
do futuro tem sido objeto de estudos e de investigações científicas.A
energia do hidrogênio poderá vir a ser uma outra opção alternativa
notadamente direcionada para os veículos automotivos.
Como se não bastasse as agressões sofridas pela Natureza ao longo dos
últimos 100 anos devido ao consumo exagerado dos combustíveis fósseis, o
derrame de petróleo nos oceanos devido à acidentes degradando os
ecossistemas marinhos, deve-se levar em conta o desmatamento acirrado para
obtenção de energia térmica, que parece não regridir.
Segundo o Manual for Solar Box
Cooker´s, publicado por Technology for Life, da Filândia, um terço da
população mundial (cerca de dois bilhões de pessoas), dependem diariamente
da lenha para satisfação de suas necessidades energéticas inclusive no que
diz respeito à cocção de alimentos, o que representa nos dias atuais um
desmatamento das florestas tropicais da ordem de 20.000 a 25.000 Km2.
Esta ocorrência se dá exatamente nas regiões tropicais, portanto em
áreas propícias ao uso da energia solar onde a respectiva incidência chega,
em alguns casos, a uma potência de 1 Kw/m2.
Em termos de Nordeste Brasileiro, segundo dados estatísticos do IBGE
versão de 1996, a extração de lenha é da ordem de 17.902.000 m3,
além da lenha extraída para obtenção do carvão vegetal, madeira em tora e
madeira para fabricação de papel.
Considerando que a população da zona rural nordestina é da ordem de
17.000.000 de habitantes, e sabendo que uma família de cinco pessoas gasta em
média 1,2 toneladas de lenha por ano para o preparo dos alimentos, a redução
anual na extração de lenha originada pelo uso constante de um fogão solar
seria de 55%, o que significa
dizer que deixariam de ser extraídas anualmente das florestas tropicais
9.846.000 m2 de lenha.
Dificilmente poderiamos contar com uma adesão em massa do fogão solar
pela totalidade da população, o que seria o desejável.
Porém se apenas 30% desta população optasse pelo uso do fogão
solar, mesmo assim, a redução na extração da lenha seria de 5.370.000 m3
anuais, cifra esta nada desprezível.
É importante contudo esclarecer que o fogão solar não tem a pretensão
de substituir integralmente o uso da lenha ou mesmo do gás de cozinha e nem
isto seria possível, pois sendo o fogão solar um equipamento cuja
operacionalidade só tem sentido com a presença da radiação solar direta,
é perfeitamente compreensível que haverá ocasião em que o sol não ofereça
condições de operacionalidade do fogão solar, quer por questões de forte
nebulosidade, que em decorrência de períodos chuvosos e fatores outros que
impeçam a presença da radiação direta e neste caso o uso da lenha ou do gás
se torna imperativo.
O fogão solar é uma alternativa energética ecologicamente correta
que não deve ser negligenciada. Se
devida e constantemente usado nas horas em que o sol permita o seu emprego, o
fogão solar representará sem sombra de dúvidas uma inestimável contribuição
à política para o desenvolvimento sustentável, reduzindo assim a
desertificação das regiões áridas e semi-áridas, além de contribuir para
uma melhoria das condições ambientais pelo aumento de áreas verdes necessárias
ao processo da fotossíntese, contribuindo para a liberação de maiores
quantidades de oxigênio e redução
de CO2.
O uso do fogão solar já faz parte do cotidiano na Índia, na China e
no Kénia, totalizando mais de 115.000 unidades em operação.
A POSIÇÃO BRASILEIRA NO CAMPO
DA GERAÇÃO DE ENERGIA
No Brasil a
predominância energética e de origem hídrica o que hoje representa 92% da
capacidade nominal instalada.
Somos um país praticamente monoenergético o que não é bom para o
seu desenvolvimento industrial.
As bacias hídricas das regiões sul e sudeste, portanto onde se
encontram os grandes centros populacionais e industriais, representadas pelos
rios Paraná e São Francisco já utilizam praticamente 80% do potencial hídrico
em operação ou em construção. O
que ainda resta a ser utilizado a longo prazo representa pouco mais de 17%.
Resta-nos apenas a região Amazônica cujo potencial a ser explorado
com vistas a geração de enegia de origem hídrica, representa 54%.
Porém se ainda nos resta este potencial o seu aproveitamento implica
(como ocorreu em outras áreas), em promover impactos ambientais
significativos que não devem ser negligênciados.
A formação da bacia de acumulação necessária à operação de uma
usina hidrelétrica significa a inundação de florestas, aquíferos, o
desaparecimento pela submersão de áreas ocupadas pela fauna, inundação de
solos agricultáveis, vilas e povoados com suas tradições e culturas,
deslocamentos populacionais etc. Isto
significa um custo social que não será contemplado pelas vantagens que a
usina possa oferecer.
Agredir a Natureza com o objetivo de gerar energia necessária ao
desenvolvimento do país não parecer ser a solução lógica e viável.
“A
hidrelétrica de Balbina, por exemplo, devido à emissão de metano na degradação
da massa florestal inundada, produz
para o efeito estufa um resultado similar ao de uma usina termelétrica de
mesma capacidade”. “A
usina termelétrica de Piratininga, dentro de São Paulo, por exemplo, produz
sozinha mais dióxido de enxofre do que toda a frota de ônibus do município.”,
segundo o engenheiro Lúcio César Mesquita, diretor da Agência Energia
de Belo Horizonte.
A
ENERGIA QUE VEM DO SOL
A economia nordestina mais
uma vez fica comprometida com os efeitos da seca, este fenômeno cíclico que
tanto tem penalizado os Estados que compõem o Polígono das Secas.
Era de se esperar que a SUDENE com vasta experiência no combate às
secas já deveria ter pronto um projeto capaz de permitir a convivência do
homem com a seca, porém o que vemos é uma repetição das ações
desenvolvidas no passado, o que tem mostrado a sua total ineficiência.
Até hoje a SUDENE tem desenvolvido ações emergências e corretivas,
jamais preventivas como o caso merece, pois a seca é um fenômeno natural
impossível de ser erradicado.
A tônica atual aponta a transposição do Rio São Francisco como uma
solução ou a única solução capaz de amenizar o problema da seca no
Nordeste. Não discordamos desta
idéia porém é preciso lembrar que a transposição em si não resolve o
problema em âmbito geral. A
perenização dos rios beneficia diretamente a população ribeirinha sempre
que seja possível uma irrigação por gravidade.
Quando as áreas a serem irrigadas se encontrarem à cotas superiores
as dos leitos dos rios, torna-se necessário o concurso da energia para a
respectiva irrigação.
Se houvesse vontade política, se o problema da seca fosse encarado com
decisão e responsabilidade e não
como uma oportunidade segundo a ótica de alguns políticos que dela se
beneficiam, principalmente quando coincide com o ano de mudanças no contexto
político eleitoral, certamente que os efeitos deste fenômeno cíclico há
muito teriam sido amenizados senão erradicados em quase a sua totalidade.
O sol que castiga os nordestinos nas épocas das estiágens, poderia se
tornar num aliado de vital importância no combate aos efeitos da seca,
principalmente para aquelas regiões onde o concurso da energia convêncional
de boa qualidade é ainda inexistente.
A dissiminação de projetos de pequeno e médio porte com base na
energia solar poderá ser seguramente uma solução alternativa principalmente
naquelas localidades onde o concurso da energia elétrica torna-se impraticável
em decorrência do binômio custo-benefício.
A importância deste aproveitamento solar principalmente nas áreas
cobertas pela CHESF está se tornando evidente conforme foi amplamente
debatido no SEMINÁRIO NORDESTE SÉCULO XXI ENERGIA PARA O FUTURO, realizado
na cidade do Recife em outubro de 1994 como pode-se ver segundo a transcrição
que se segue:
“A CHESF se defrontará com o
problema de expansão do seu parque gerador a partir do ano 2.000, em virtude
das dificuldades e do custo do aproveitamento dos recursos hídricos
remanescentes em sua área de concessão.
Entre as opções vislumbradas para o suprimento futuro, a Energia
Solar encontra-se numa situação favorável por ser abundante, previsível, não
poluente, e dispersa, o que dá flexibilidade de se utilizar locais de produção
de energia que concorram muito pouco com outros usos da terra e, se contar com
tecnologia bem desenvolvida, com custos de instalação e geração
decrescentes e a médio prazo competitivos com aqueles de fontes convencionais
térmicas ou hidráulicas.
Existe ainda a possibilidade de
armazenamento oferecida pelo sistema existente, o que certamente contribuirá
para amortecer as variações características do aproveitamento solar e
otimizar o seu uso.
Diante destes fatos , a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco -
CHESF, através de um levantamento preliminar do potencial solar do Nordeste,
realizado em 1987, constatou que toda a Região tem um alto índice de radiação
solar e, numa estimativa preliminar, utilizando apenas áreas de maior insolação
com premissas bastante restritivas, levantou um potencial da ordem de 11.400
MW/ano, numa superfície com cerca de 1.000 Km2. “
Não se trata portanto de um pensamento utópico!
A Energia Solar será muito em breve uma realidade paupável no mundo
do próximo milênio e por mais paradoxal que seja, esta realidade começará
a surgir nos países onde o sol não tem a importância do sol que banha os países
tropicais como o nosso.
Segundo o SEMINÁRIO já referido, a Energia Solar está sendo
aproveitada nos Estados Unidos para produção de eletricidade em sistemas
interligados. A California
tem uma capacidade total de mais de 350Mw de geração de energia a partir da
tecnologia solar, suprida por autoprodutores e interligados ao sistema de
distribuição das grandes companhias geradoras regionais. Na Suiça, de acordo com exigência do Ministério Federal, no ano 2.000 uma parte da energia gerada naquele país deverá ser de origem solar, correspondendo a 230 Mw. Por outro lado as indústrias americanas estão sendo apoiadas pelo governo para envidar esforços no sentido de conseguir reduções de preço, tornando a energia fotovoltáica competitiva no mercado aberto com o custo de geração de carga na base pelo ano 2.000.
A redução de custo da Energia Solar nas usinas termosolares tem sido
bastante atenuada nos últimos anos de tal modo que em 1984 o custo do Mwh era
de US$ 240 contra um custo atual (1994), de US$ 80/Mwh, o que já é
competitivo com a geração convencional nas horas de ponta nos EUA.
No caso das centrais fotovoltáicas o custo atual (1994), é de US$
300/Mwh, um decréssimo notável quando comparado aos US$ 1.000Mwh em 1980 ou
US$ 6000/Mwh em 1970. Em alguns Estados Nordestinos estão em andamento diversos programas de implantação de projetos e estudos específicos em empresas de geração e distribuição de energia elétrica, universidades e empresas privadas, destacando-se as seguintes entidades e programas: (Dados de 1994).
1 - Universidade Federal de
Pernambuco, grupo de fontes alternativas de energia, que dá consultoria a
assessoria especializada em projeto e desenvolvimento de dispositivos e outras
atividades na área de Energia Solar, em particular à pesquisa de sistemas
fotovoltáicos com e sem concentradores, para bombeamento e outros fins, e
sistemas concentradores para a produção de calor de processo industrial.
2 - Companhia Energética de
Pernambuco - CELPE, que projeta a instalação de sistemas de geração
fotovoltáica para mais de 1.000 casas e fazendas em regiões remotas e a
instalação de aproximadamente 20 sistemas de bombeamento, para água potável
e sistemas de irrigação.
3 - Secretaria de Recursos Hídricos
do Ceará, projeta a instalação de bombas fotovoltáicas para água potável
e irrigação de pequena escala em áreas remotas.
4 - Companhia Energética do
Ceará - COELCE, projeta a instalação de sistemas fotovoltáicos até 25
Kw para suprimento de energia em casas, fazendas, escolas e ambulatórios em
regiões remotas.
5 - Companhia
de Eletricidade da Bahía - COELBA, projeta a instalação de 5 bombas
fotovoltáicas e cerca de 100 sistemas solares residenciais em comunidades
rurais.
6 - Companhia Hidro Elétrica
do São Francisco - CHESF, que já realizou um levantamento preliminar do
potencial solar do Nordeste, participou de projeto de cooperação com a
Alemanha com o emprego de sistema solar, planeja a implantação de uma rêde
solarimétrica em áreas promissóras do Nordeste do Brasil, e projeta a
construção de uma área de testes de sistemas fotovoltáicos na sede da
Empresa e de uma central solar fotovoltáica de demonstração, pesquisa e
treinamento a ser instalada em Gravatá (Pe).
Em 1996 teve lugar no Rio de Janeiro, o CONGRESSO BRASILEIRO DE
ENERGIA. Entre
os trabalhos apresentados, destacamos: ANÁLISE
ECONÔMICA DA INTRODUÇÃO DE PRE-AQUECEDORES SOLARES NAS HABITAÇÕES
BRASILEIRAS, de autoria dos professores Ronaldo Gonçalves Madureira e
Gilberto de Martinho Jannuzzi, ambos da UNICAMP. |