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O FOGÃO SOLAR
NA ATIVIDADE HUMANA Uma contribuição ao desenvolvimento sustentável Eng.
ARNALDO MOURA BEZERRA, M.Sc. INTRODUÇÃO
Captar a energia solar e utiliza-la no preparo dos alimentos é hoje uma
prática que tem encontrado adeptos notadamente nos países como o Perú, Índia
e China, entre outros.
Estudos realizados pela comunidade científica internacional tem
evidenciado em seus relatórios que somente na Índia e na China o número de
fogões solares em operação supera a casa das 100.000 unidades.
Solar Cookers International (SCI) desenvolveu
e vem financiando um extenso programa no Kenia possibilitando a aquisição de
fogões solares para mais de 15.000 famílias que vivem nos campos de
refugiados.
A UNESCO mantém um projeto
para construção de fogões solares (UNESCO
Funds Solar Cooking Project in Zimbabwe), em cooperação com o Departamento de
Energia de Zimbabwe e o Centro de Desenvolvimento Tecnológico da Universidade
de Zimbabwe.
No Peru o emprego do fogão solar está sendo desenvolvido pela Peru
Children´s Trust sob a orientação de Manuel e Gay Reynaga, utilizando a mão
de obra de 100 crianças pobres na construção de fogões solares objetivando
principalmente reduzir o consumo de lenha e de gás, destinados ao preparo dos
alimentos. Este
Projeto, de cunho social importante, tem ainda como finalidade oferecer assistência
às famílias daquelas crianças no que diz respeito á saúde, educação,
orientação religiosa além de promover a iniciativa de pequenos negócios na
área da agricultura e na fabricação de tijolos de barro.
Esta ocorrência se dá exatamente entre as populações que habitam as
regiões tropicais, portanto em áreas propícias ao uso da energia solar onde a
incidência solar chega, em alguns casos, a um potencial de 1 Kw/m2.
A energia térmica concentrada na zona focal do fogão é suficiente para
fornecer as calorias necessárias à ebulição da água, cozinhar, assar,
fritar, aquecer alimentos etc.
Não seria de mais enfatizar que o uso sistemático do fogão solar
somente trará benefícios para o usuário, principalmente os de baixa renda que
habitam as zonas rurais. Por
outro lado a sua freqüente utilização representa uma contribuição inestimável
a fauna e a flora, hoje tão comprometidas com o desmatamento inconseqüente e
predatório na busca de lenha, gravetos e materiais outros destinados a produção
de energia térmica.
O emprego da energia solar não apenas na cocção de alimentos mas ainda
no aquecimento de água, secagem de produtos agropecuários etc, evidencia uma
prática ecologicamente correta que não deve ser negligenciada.
Por esta razão é que as áreas potencialmente utilizáveis estão
situadas nas zonas do semi-árido nordestino e regiões outras de características
semelhantes e preferencialmente onde há ocorrência de desmatamento para
alimentação de fogões a lenha, bastante utilizados na zona rural.
Nas regiões litorâneas o emprego do fogão solar somente terá
justificativa nas atividades de camping e atividades outras correlatas.
A utilização do fogão solar nas áreas potencialmente propícias
dar-se-á praticamente durante todo o dia sendo o intervalo correspondente entre
9 e 15 horas o que melhor se adequa
à sua utilização.
Iremos portanto fixar o nosso estudo unicamente nos concentradores parabólicos cuja eficiência térmica é bastante superior aos demais referidos na literatura.
A construção do concentrador parabólico tem por base o traçado geométrico
da parábola cuja equação em coordenadas cartesianas retangulares referida ao
eixo de simetria e a tangente no vértice vem dada por:
y2 = 2px.
Por esta razão as propriedades da parábola são de fundamental importância
para um bom desempenho do fogão dando origem a uma zona focal onde toda a radiação
incidente no concentrador parabólico converge para este foco onde a temperatura
assume o seu valor máximo.
Considerando o movimento aparente do sol em sua eclítica, o
funcionamento correto do fogão exige o seu respectivo direcionamento em relação
ao sol, o que será feito em
intervalos aproximados de 20 minutos segundo a posição do sol em seu movimento
azimutal e declinatório.
Estes dois movimentos poderiam ser automatizados conforme o sol vai
mudando de posição porém isto representaria um custo adicional que deverá
ser evitado.
De um modo geral as temperaturas obtidas se situam entre 100 e 393 oC
para fatores de concentração variando entre 2,5 e 24, aproximadamente onde o
valor máximo se refere a uma superfície refletiva formada por segmentos de
espelho planos.
No caso do mylar e do alumínio comercial polido manualmente, as
temperaturas máximas obtidas entre 10 e 12 horas do dia com a radiação
variando de 1,21 a 1,37 cal/cm2.min foram as seguintes:
Mylar ......300oC
Alumínio .250oC
O material mais indicado para compor a superfície refletiva é o alumínio
com alto grau de polimento, muito embora existam outros materiais como o mylar
(um tipo de plástico auto-adesivo), que tem o inconveniente de ser importado,
portanto de custo elevado, logo não aconselhável.
O vidro espelhado de dois milímetros de espessura seria ideal porém tem
o inconveniente de sua fragilidade além de não ser suficientemente flexível
para se adaptar à superfície curvada do paraboloide o que dá origem a dispersões
energéticas.
Um protótipo de fogão solar com superfície refletiva formada por
segmentos de espelhos planos de 2 mm de espessura e distância focal de 40 centímetros
e fator de concentração 24, resultou numa temperatura
da ordem de 350 oC, aferida segundo um termômetro digital
tipo SALVTERM 1200 K.
O objetivo deste protótipo foi
unicamente testar o vidro espelhado como elemento refletivo.
A confirmação prática da temperatura foi obtida fundindo-se 200 gramas
de chumbo num intervalo de dois minutos.
Sabendo que o ponto de fusão do chumbo se dá a uma temperatura de 327oC,
conclui-se que a temperatura no foco do fogão foi de no mínimo igual a
temperatura de fusão do chumbo.
A fotografia abaixo refere-se ao protótipo de fogão solar construído
em fibra de vidro e revestimento refletivo formado por segmentos de espelho
plano de 2mm de espessura. O
cálculo teórico da temperatura na imagem de Gauss com base na equação de
Stephan Boltzman resultou em 393oC. para uma potência solar utilizável
da ordem de 0,5 Kw/m2 o que corresponde a uma energia de 430 Kcal/m2.h.
CONCLUSÃO
Comparando-se os valores médios obtidos, verificou-se que o mylar
apresentou temperaturas bem mais significativas ficando o revestimento de alumínio
polido artesanalmente em segundo lugar.
O distanciamento verificado no que se refere à temperatura no foco do
fogão solar com relação aos dois materiais empregados é facilmente
explicavel.
Em primeiro lugar utilizou-se calha de alumínio comercial normalmente
empregado na construção civil portanto sem a pureza e o grau de polimento
necessário para operar como superfície refletiva.
Em segundo lugar o polimento obtido de forma artesanal deixou muito a
desejar já que não se dispunha de meios materiais mais eficiente para obter o
polimento desejado.
O alumínio polido com um grau de pureza e acabamento desejáveis é sem
dúvida o material que mais se adapta
para a formação da superfície refletiva dos fogões solares à concentração,
não somente por ser um material leve, de fácil maneabilidade e principalmente
considerando-se que dependendo do grau de polimento obtido a reflexão da radiação
solar é superior a 80% da radiação incidente.
Feitas estas considerações é importante lembrar que o material
refletivo não é o único fator importante a ser considerado.
As condições atmosféricas locais, a correta orientação do
paraboloide em relação à posição do sol, as perdas térmicas por convecção
etc, também são importantes na obtenção da temperatura do fogão e portanto
devem ser levadas em consideração. _________________________ BIBLIOGRAFIA
1*-
UNESCO , Funds Solar Cooking Project in Zimbabwe 2*
- SCI – Solar Cookers International 3*
- Peru Children`s Trust 4*
- Solar Cooking FAQ 5*
- Solar Cooking Plans 6
- Arnaldo Moura Bezerra – Aplicações
Térmicas da Energia Solar- 3a Edição
Editora Universitária –
UFPb – 1998 6
– J.ªDuffie, W.ªBeckman – Solar Engineering of Thermal Processes – John
Wiley
& Sons – New York - 1980 *) Materia constante da internet |